Eu nunca tinha pensado que, para cuidar da natureza, às vezes é preciso arrancar, não apenas plantar. Recentemente, participei de uma ação voluntária com biólogos para retirar espécies invasoras. São plantas que não pertencem àquele ecossistema e acabam sufocando as espécies nativas, prejudicando a biodiversidade e o solo.
Antes de plantar algo novo, foi preciso retirar o que invadia. E isso me fez pensar o quanto esse processo se parece com a vida. Crescemos acreditando que evoluir é sempre somar: mais metas, mais demandas, mais expectativas. Mas, em alguns momentos, o cuidado está justamente na retirada.
Retirar o que drena, o que invade, o que já não conversa com quem somos ou com quem queremos ser. Não porque seja ruim, mas porque não cabe mais. Porque sufoca outras possibilidades que querem nascer. Arrancar dói, tem raiz, tem história. Mas, quando temos coragem, o terreno interno respira de novo.
E se cuidar nem sempre for somar? O que será que, aí dentro, está pedindo para ser retirado para que algo novo possa crescer?
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