Uma vez, passei uma semana na casa de uma amiga e, todos os dias no café da manhã, comíamos mamão. Um dia, o marido dela comentou: “Nossa, a fruta favorita de vocês é mamão, né?”. Rimos e respondemos: “Na verdade, não. A gente come porque faz bem pro corpo”. E eu ainda complementei: “Se for ver, eu nem gosto de mamão”.
Essa situação me fez pensar no quanto, na vida, nem tudo o que fazemos é prazeroso. Nem tudo o que é bom pra gente é algo que a gente gosta. Mas quando entendemos o porquê de uma ação, ela deixa de ser apenas um peso ou uma obrigação automática. Ganha sentido.
Quando conectamos uma ação aos nossos valores, até aquilo que não gostamos tanto se torna mais leve de sustentar. Não é que passamos a gostar, mas entendemos que faz parte do caminho para algo maior.
A questão não é fazer apenas o que gostamos, isso é praticamente impossível. A pergunta é: aquilo que eu não gosto de fazer tem uma função importante? Me aproxima do que realmente importa? Se sim, talvez faça sentido continuar. Se não, talvez seja hora de repensar.
E agora me conta: qual é o seu “mamão”? Aquela coisa que você não gosta tanto, mas faz porque sabe que te leva para algo maior.
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