Ninguém sabe o seu roteiro

Há um tempo, voltei ao teatro depois de muitos anos. E aquela nostalgia boa veio junto. Lembrei da adolescência, das marcações no palco, dos roteiros, dos improvisos, das trocas de cena. Do coração acelerado antes de entrar em cena: “Será que vai dar certo? Será que vou lembrar tudo?”. No palco, não há corte nem repetição. É começo, meio e fim acontecendo diante dos nossos olhos. E a vida se parece muito com isso.

No teatro e na vida, nem tudo pode ser controlado. O desafio está em se permitir viver com presença, acolhendo falhas, improvisos e emoções que surgem no caminho. Essa experiência me lembrou que o teatro começou a me ensinar algo que sigo cultivando até hoje na psicoterapia: a importância da presença, da expressão e da coragem para construir uma vida valorosa.

Mesmo quando existe um planejamento, errar e improvisar fazem parte. E tem algo importante nisso: ninguém vê o seu roteiro completo. A plateia não sabe quando você errou ou quando mudou algo no caminho. Cada história tem sua própria lógica, intenção e sentido.

Então por que nos fechamos tanto por medo do julgamento, do erro ou de não agradar? Cada vida é única, e só nós conhecemos nossos motivos e escolhas. Que possamos seguir com aquilo que é nosso — nossas emoções, desejos, planejamentos e também com os improvisos que vão construindo nossa história ao longo do tempo.

E se você se permitisse improvisar mais, sem a pressão de agradar a plateia? Que escolhas faria diferente hoje?

© 2025 Saradjane Lenhart Nesi. Todos os direitos reservados. | CRP 08/26763