Tenho pensado sobre a nossa necessidade de urgência, essa pressa constante em relação ao que desejamos. Digo “nossa” porque, muitas vezes, também me pego buscando atalhos. E isso me fez refletir: em que momento foi que perdemos o encanto pelo cotidiano, pela construção das coisas, pelo processo?
Parece que estamos sempre correndo atrás do fim, querendo que tudo aconteça rápido, esquecendo de desfrutar os pequenos passos. Lembrei de quando era criança e o que mais me divertia nas brincadeiras era montar o cenário: detalhe por detalhe, vivendo cada etapa, para só depois brincar naquele espaço que eu havia construído com tanto cuidado e presença. Justamente por reconhecer o tempo investido ali, eu conseguia valorizar aquele momento.
Essa urgência nos faz perder a apreciação da espera, dos detalhes e do tempo necessário para que as coisas se consolidem. E seguimos exaustos, porque não estamos vivendo o caminho — nossa atenção está sempre lá na frente. A pressa cansa. Muitas vezes, as coisas parecem mais difíceis do que realmente são porque idealizamos demais o resultado, queremos fazer em um dia o que leva anos, ou acertar de primeira aquilo que ainda está em construção.
Esperar não é vazio. A espera não significa passividade. É possível ocupar esse tempo vivendo, escolhendo ações valorosas, tornando o caminho mais significativo e fortalecendo, inclusive, a celebração da conquista. Dar tempo às coisas é se permitir viver tudo o que acontece entre o oito e o oitenta, é ter compromisso com o processo, não apenas com o resultado.
A vida não pede pressa, ela pede presença.
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